Principais gemas e minerais de Minas Gerais

Principais gemas e minerais no estado de Minas Gerais
pedras preciosas de Minas Gerais, topázio imperial
Gemas, ou pedras preciosas, são minerais que devido às suas propriedades físicas peculiares como cor, brilho, dureza ou raridade despertam curiosidade ou paixão nos seres humanos em geral aqueles minerais de cores vivas como ametista, esmeralda, jade, granadas, turquesa, lápis-lazúli, diamantes etc.
A grande maioria das gemas são de origem mineral (somente estas serão tratadas aqui neste artigo), embora também existam rochas e mesmo materiais orgânicos.

Aqui segue uma lista e informações gerais das gemas mais apreciadas no mundo e que são extraídas do estado de Minas Gerais.
Um mapa das principais pedras preciosas de Minas Gerais de encontra no final deste artigo.

Esmeralda
Esmeralda com cerca de 50 quilates, da lavra de Capoeirana (Nova Era).
Esmeralda com cerca de 50 quilates, da lavra de Capoeirana (Nova Era).

A esmeralda é a variedade de cor verde grama do mineral berilo, sendo considerada a mais nobre das variedades gemológicas dessa espécie.
A primeira descoberta de esmeraldas no Brasil ocorreu em 1912, em Bom Jesus dos Meiras, atual Brumado, no sul do estado da Bahia. A partir daí sucedeu-se uma série de descobertas de ocorrências dessa gema nos estados de Goiás e Minas Gerais, além de na própria Bahia.

A lenda da “Serra das Esmeraldas” em Minas Gerais.
A busca por esmeraldas no Brasil remonta ao século XVI. Desde então até o século XVII, várias expedições foram feitas em busca da lendária “Serra das Esmeraldas”, que ocorreria no interior do país. Muitas dessas expedições acreditavam ter achado tal pedra, mas na verdade os bandeirantes a confundiram com berilo ou turmalinas verdes. Em 1681, Fernão Dias Paes Leme, após uma bandeira de oito anos, acreditou ter encontrado a Serra das Esmeraldas no território de Minas Gerais. Após sua morte, foram enviados à metrópole dois caixotes dessas “esmeraldas”, que foram identificadas como turmalinas.
A partir de então, diversas novas expedições foram feitas, mas nenhuma esmeralda foi encontrada. Contudo, essas expedições resultaram em inúmeras descobertas de ouro e de outras pedras preciosas, como berilo, topázio e turmalinas de diversas cores.
Esmeralda no xisto da lavra de Capoeirana (Nova Era)
Esmeralda no xisto da lavra de Capoeirana (Nova Era)

Em Minas Gerais, os maiores depósitos concentram-se no Distrito Pegmatítico de Santa Maria de Itabira, pertencente à Província Pegmatítica Oriental do Brasil, principalmente numa faixa situada entre os municípios de Nova Era e Itabira. Nesse contexto, destaca-se a mina Belmont, em Itabira, cujas esmeraldas foram descobertas em 1978. Os outros dois principais depósitos da área são o garimpo de Capoeirana, descoberto em 1988 na localidade homônima (Nova Era), e a mina Piteiras, descoberta mais recentemente (2000), também em Itabira.

Água-marinha
(e outras variedades do Berilo)
A água-marinha é uma outra variedade do berilo, a segunda em ordem de importância em termos gemológicos. A cor azul ou azul esverdeada origina seu nome, do latim “água do mar”.
As principais jazidas a nível mundial ocorrem no Brasil.
As outras variedades de berilo são a morganita (rósea), o heliodoro (amarela), a goshenita (incolor) e a bixbita (vermelha), das quais as três primeiras também ocorrem no país e a última é de ocorrência restrita aos Estados Unidos.
Além de Minas Gerais, que se destaca como o mais importante produtor desta gema (morganita e heliodoro), existem ainda depósitos em Goiás, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte. Em termos geológicos, as demais variedades do berilo, que não a esmeralda, ocorrem principalmente em pegmatitos graníticos, além de granitos e riolitos ricos em berílio. Os principais depósitos em Minas Gerais se associam à Província Pegmatítica Oriental do Brasil, espalhados por praticamente todos os seus distritos minerais, enfatizando-se o de Padre Paraíso.
As descobertas de grandes cristais de água-marinha em Minas Gerais são frequentes, inclusive o maior espécime e que ficou conhecido mundialmente, foi produzido no estado, foi encontrada em Resplendor, e até então, era a maior água-marinha do mundo e pesava 110 kg, com dimensões de 48,5 cm de comprimento e 42 cm de diâmetro.
Águas marinhas de boa qualidade são caras, então os colecionadores optam por colecionar escórias que antecedem a água-marinha e que se encontram no emburrado de pegmatito, geralmente  bastante rico em óxido de ferro.

Topázio
Topázio é um silicato de flúor e alumínio.
É reconhecido principalmente por sua forma cristalina, clivagem basal perfeita, além de altas dureza e densidade relativa. As pedras brutas não devem ser alvo de testes quanto à sua dureza devido ao perigo de se romperem na clivagem. O topázio de cor alaranjada (topázio imperial) talvez seja a gema mais genuína brasileira, devido à sua ocorrência restrita ao país, mais precisamente ao município de Ouro Preto.

Em termos geológicos, os topázios comuns se associam à Província Pegmatítica Oriental do Brasil, particularmente em sua porção norte, envolvendo os distritos de Araçuaí, Pedra Azul e Padre Paraíso. O maior topázio lapidado do mundo, designado de “Princesa Brasileira”, possui 21.327 quilates e foi encontrado na região de Teófilo Otoni, em Minas Gerais. Já as jazidas de topázio imperial se relacionam à região geologicamente conhecida como Quadrilátero Ferrífero, na porção central do estado, e seus exemplares (brutos) raramente excedem 10 quilates.
Topázio Imperial bruto de Minas Gerais.
Topázio Imperial bruto de Minas Gerais.

No Brasil, tanto os topázios ditos comuns como o topázio imperial são conhecidos desde o século XVIII. Os comuns são em geral incolores, azuis ou amarelos, e o imperial possui uma característica cor laranja. Já foram encontrados cristais de topázio com até mais de 1 m de comprimento e que pesaram mais de 100 kg. Em 1740, foi encontrado no país o topázio imperial conhecido como “Bragança”, no município de Ouro Preto (MG), que se pensava inicialmente ser um diamante, pesando 1.680 quilates.

Curiosidades sobre o Topázio Imperial
O Topázio Imperial não se diferencia quimicamente quanto aos de cor azul ou incolor, apresentando a mesma composição, porém, o topázio imperial, diferentemente dos outros, não ocorre em pegmatitos juntamente com turmalinas, berilos, granadas e crisoberilo. Sua formação se dá no processo geológico de hidrotermalismo, de uma fase final da atividade magmática. A designação “imperial” é de origem russa, local onde as primeiras pedras dessa cor foram encontradas durante o período do império czarista, embora em tal região as jazidas estejam inteiramente exauridas.

Quanto vale um Topázio Imperial?
Os topázios imperiais valem aproximadamente de 30 a 600 vezes mais que os de cor azul, que são os mais valiosos dos topázios ditos comuns. As cores raramente são fortes, sendo a mais frequente o amarelo com tonalidade avermelhada. O topázio, quando avermelhado (cherry), situa-se entre as pedras preciosas mais valiosas, porém o azul está na mesma faixa de preço do quartzo fumê e do quartzo rutilado, sendo ainda de menor valor que o citrino; destas, valem mais as pedras parecidas com o tom de azul da água-marinha.

Crisoberilo
O mineral ou gema crisoberilo, diferentemente do berilo, é um aluminato de berílio.
Apesar da similaridade de seus nomes, o Crisoberilo e o Berilo são gemas completamente diferentes.
Crisoberilo tem seu nome derivado do grego, que significa “berilo cor de ouro”, sendo conhecido desde a antiguidade. Entretanto, o crisoberilo só foi descrito como uma espécie mineral particular no século XVIII, a partir de sua descoberta no Brasil, no norte de Minas Gerais.
crisoberilo natural para colecionador

É importante ressaltar que este é o "primeiro mineral brasileiro” descrito. Outros países produtores são Tanzânia, Zâmbia, Madagascar, Sri Lanka, Índia e Myanmar.

O estado de Minas Gerais permanece como o maior produtor dessa gema no país, que ocorre ainda no Espírito Santo e Goiás. Em Minas Gerais e Espírito Santo, o crisoberilo e suas variedades olho-de-gato e Alexandrita ocorrem exclusivamente na Província Pegmatítica Oriental do Brasil.

O crisoberilo é a terceira pedra preciosa mais dura ficando entre o coríndon e o topázio na escala de dureza.
Tem tonalidades de verde, amarelo, vermelho, marrom e raramente azuis; brilho vítreo a resinoso; clivagem geralmente indistinta; fratura concoidal ou ausente; dureza 8,5 e densidade relativa 3,5 – 3,84.
Existem três variedades de crisoberilo: crisoberilo comum, cimófano (olho de gato ou olho de tigre) e a Alexandrita (ver a seguir), dentre estes a Alexandrita tem um alto valor comercial, e é usada como pedra preciosa.
crisoberilo olho-de-gato bruto
Crisoberilo olho-de-gato bruto.

O crisoberilo olho-de-gato tem como principal aspecto o fenômeno óptico conhecido como chatoyance, em que apresenta finos canais ou agulhas de rutilo ordenadas paralelamente; a reflexão total da luz causa o aparecimento de um raio sedoso ondulante de direção perpendicular à dos canais, nota-se sobretudo nos exemplares lapidados em cabochão.
Por vezes os termos “crisoberilo” e “olho-de-gato” são designados, de modo equivocado, como crisólita e crisoberilo. A denominação crisólita deve ser empregada para designar a variedade do mineral olivina mais clara que o peridoto, ou simplesmente como sinônimo de olivina. Outras gemas podem exibir a chatoyance, porém o termo olho-de-gato sem descrição adicional se reserva apenas ao crisoberilo; as demais gemas devem ser designadas por seu nome seguido do mencionado termo.

Olho-de-gato, cuidado com as imitações e falsificações:
O olho-de-gato pode ser sintetizado, ele pode ser confundido com quartzo ou a prenita chatoyans, a apatita ou a albita verde. Nos anos 1990, crisoberilos "olho de gato" castanhos foram obtidos por irradiação e eram radioativos sendo a sua venda PROIBIDA.

Alexandrita
Alexandrita é uma variedade do mineral crisoberilo (veja informações acima) e uma pedra preciosa muito apreciada e de grande valor. Muda sua cor de acordo com a luz: à luz natural é geralmente verde-oliva, mas à luz incandescente, de lâmpadas de filamento e de fogo, assume cor vermelha. Sua mudança de cor e relativa escassez é devido a uma combinação extremamente rara de minerais, incluindo titânio, ferro e cromo.

Esta pedra é famosa por suas propriedades ópticas estranhas, pois a gema pode mudar de cor dramaticamente dependendo do tipo de luz que incide sobre ela.
Veja o exemplo a seguir desta Alexandrita lapidada e a diferença de cores da mesma pedra.
alexandrita lapidada, jogo de coresalexandrita lapidada, jogo de cores
Alexandrita é uma das pedras mais caras do mundo, sendo encontrada nos Montes Urais na Rússia e no município de Antônio Dias em Minas Gerais.
Entre 1970 e 1980 o Brasil se tornou um produtor de Alexandrita com extrações na Bahia, Espírito Santo mas, principalmente em Minas Gerais onde, inicialmente a Alexandrita era extraída no município de Malacacheta.
Em 1986 descobriu-se grande quantidade dessa gema em Hematita, no município de Antônio Dias, o que provocou o abandono dos demais garimpos.
A Alexandrita que ocorre em Minas Gerais é encontrada no Distrito Pegmatítico de Padre Paraíso (município de Malacacheta) e ainda em Hematita (município de Antônio Dias), no Distrito Pegmatítico de Santa Maria de Itabira.
A jazida de Hematita levou o Brasil à condição de maior produtor mundial.

Turmalinas
No Brasil, as primeiras turmalinas foram descobertas por bandeirantes paulistas no século XVI, tendo sido a variedade verde depois denominada de “esmeralda brasileira”.
Minas Gerais destaca-se como o mais importante produtor no Brasil, embora jazidas de menor importância ocorram também na Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte (entre estas últimas, não se incluem as turmalinas “Paraíba”, valiosíssimas devido à sua cor azul de tom “néon”).
Todos os depósitos em Minas Gerais relacionam-se a pegmatitos graníticos da Província Pegmatítica Oriental, em particular aos distritos de Araçuaí, São José da Safira e Conselheiro Pena.
O grupo de minerais da Turmalina totaliza catorze espécies distintas, das quais três são mais abundantes na natureza: elbaíta, schorlita (ou afrisita) e dravita. As turmalinas gemológicas mais comuns são variedades da elbaíta: verdelita (verde), rubelita (rósea ou vermelha) e indicolita (azul).
Turmalinas em geral ocorrem como cristais prismáticos, estriados verticalmente, possuindo brilho vítreo e durezas elevadas. Possui brilho vítreo a resinoso e fratura conchoidal. Sua cor mostra incrível variedade, de incolor (a rara elbaíta acroíta) a rosa, azul, verde, marrom, preto ou uma combinação entre duas ou mais cores (turmalina melancia), dependendo da composição química e/ou impurezas na estrutura cristalina.

As turmalinas possuem aproveitamentos econômicos não somente em termos gemológicos, para lapidação e confecção de joias, mas também como espécimes para coleção. Elas são objeto de desejo e admiração pelos colecionadores de minerais devido à sua enorme variedade de hábitos e cores, sendo que os exemplares brasileiros, particularmente os de Minas Gerais, “ocupam posição de destaque no acervo dos maiores museus e nas melhores coleções particulares do mundo”. Alguns colecionadores de minerais só colecionam esta pedra devido à sua grande diversidade de cores e beleza.

Ver mais em:

Outras Gemas e Minerais de Coleção que são encontradas em Minas Gerais
pedras preciosas de Minas Gerais

Ametista (e outras variedades do Quartzo);
Andalusita;
Kunzita e Hiddenita;
Euclásio;
Brazilianita;
Titanita;
Granadas;
Amazonita;
Cordierita;

Mapa das principais pedras preciosas de Minas Gerais
Mapa das pedras preciosas de Minas Gerais

Fontes:

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