A Idade da Pedra e a História da Culinária

A História da Culinária na Idade da Pedra
O uso de pedras para aquecimento vai muito além, seja para aquecer água ou outros alimentos é uma prática tão antiga que remonta até mesmo antes da descoberta do próprio fogo.
Nos primórdios o Homo Sapiens não só usava pedras para fazer armas mas também aquecia seixos de pedras ao sol para vários fins, seja para o aquecimento de cavernas ou apenas para relaxa e aliviar dores no corpo.

Então, desde o tempo da Idade da Pedra o Homem usa a pedra para várias atividades além da caça como o corte de carne e de plantas a moagem de grão e para o aquecimento e cozimento de alimentos. 
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Existem diversos tipos de pedras e métodos de aquecimento para cozinhar e manter alimentos quentes, incluindo pedras vulcânicas, mármore, granito, esteatito, sal dos Himalaias e barro refratário.
As pedras vulcânicas são populares para grelhar, enquanto outras pedras podem ser usadas para manter a temperatura de alimentos e bebidas como quartzo, quartzito, basalto, etc.

utensílio de cozinha feito de pedra
Na sua maioria a pedra de que são feita as panelas ou outros utensílios de culinária é a "Pedra Sabão" (esteatito), sendo esta uma pedra que é adequada também para ser utilizada tanto para manter os alimentos quentes como frios.

Pedras para Manter Quente - Esteatito (pedra sabão)
Ex: Varm o Kall, 
Aquecimento: Podem ser aquecidas no micro-ondas ou forno, e depois colocadas sobre uma base para manter alimentos e bebidas quentes por mais tempo.
Na sua maioria e vendidas comercialmente, elas tem base de cortiça.

Pedras para Manter Frio - Esteatito (pedra sabão)
Ex: Whisky Stones, Stenkall Brun/Vit Cooler
Arrefecimento: Podem ser arrefecidas no frigorífico afim de manter frias bebidas.

Técnicas de Cozimento com Pedra:
Forno Subterrâneo (Umu, Imu, Hāngi):
Uma técnica tradicional em ilhas do Pacífico, onde pedras aquecidas são colocadas num buraco no solo para cozinhar alimentos lentamente com vapor e calor.

Cozimento com Água Quente:
Historicamente, pedras aquecidas eram colocadas em água para ferver e cozinhar alimentos rapidamente, influenciando técnicas como banho-maria e vapor.

Em muitas cidades do interior do Brasil, o chamado "café sertanejo, consiste no processo de preparo desse café em colocar a água e o pó de café em um recipiente. Para ferver a água, usam uma pedra de basalto, quartzo ou quartzito bem quente, deixada da noite para o dia perto do fogo. Uma vez misturado o café, eles adicionavam um pouco de água fria para decantar o café.
E, só a título de curiosidade há também o Café cabeludo, que é aquele que utiliza-se o carvão vegetal para decantar o café

Bife na Pedra
A pedra mais utilizada e recomendada para cozinhar carne e bife na pedra é a pedra vulcânica, conhecida pelas suas propriedades de alta resistência ao calor, conservação e distribuição gradual da temperatura, o que resulta num cozimento uniforme e preserva o sabor dos alimentos.

Outras pedras que podem ser usadas para grelhar carne incluem:
Mármore: Utilizado em algumas versões do "bife na pedra".
Granito: Também é uma opção para grelhar carne.
Xisto: Uma pedra natural que pode ser usada para cozinhar.
Barro Refratário: Ideal para suportar altas temperaturas e cozinhar uniformemente.
Pedra Sabão: Embora menos comum que a pedra vulcânica para "bife na pedra" na sua forma tradicional, é uma opção para cozinhar carne na pedra, oferecendo resultados suculentos, como demonstrado em vídeos de culinária.

Sopa da Pedra
e outros alimentos em que as pedras mantem os alimentos quentes:


Considerações importantes ao usar pedra vulcânica:
Aquecimento:
As pedras vulcânicas suportam temperaturas elevadas e podem ser aquecidas em bicos de fogão, placas vitrocerâmicas ou fornos.

Segurança:
Devem ser manuseadas com cuidado quando quentes, utilizando utensílios apropriados.

Manutenção:
Após o uso, lavar apenas com água corrente e um esfregão de aço, sem detergentes ou desengordurantes, pois podem alterar as propriedades da pedra.

Acessórios:
Existem pedras vulcânicas específicas com ranhuras anti-gotejamento e suportes robustos em aço inoxidável, que incluem queimadores a álcool ou gel para manter a pedra quente, permitindo uma experiência de "bife na pedra" completa e segura.

Durabilidade:
Pedras vulcânicas são porosas e podem desgastar-se com o tempo e altas temperaturas, sendo recomendável a sua substituição a cada dois anos.




Geologia de Gemas em Portugal

Panorama da Mineração e Geologia de Gemas em Portugal
O setor de minerais em Portugal, incluindo aqueles com potencial gemológico, é moldado por um quadro legal, instituições de pesquisa e desafios específicos de exploração.
Geologia de Gemas em Portugal e Legislação

Legislação e Concessões
Um aspeto crucial para a ocorrência e exploração de gemas em Portugal é a situação legal. As legislações relativas aos recursos geológicos são, em grande parte, omissas quanto à possibilidade de concessão mineira especificamente para gemas. Esta lacuna legal pode limitar o desenvolvimento formal e a exploração comercial em larga escala de depósitos de gemas nativas, relegando muitos achados a "curiosidades para colecionadores".

No entanto, alguns minerais com potencial gemológico, especialmente aqueles de proveniência pegmatítica, podem ser descobertos e valorizados como subprodutos de lavras dirigidas a outras substâncias. Por exemplo, a exploração de lítio, um mineral estratégico, em depósitos de espodumena e petalite em Portugal , pode incidentalmente levar à descoberta e aproveitamento de variedades de gema desses minerais.

Instituições e Pesquisa
O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) desempenha um papel central na investigação e documentação dos recursos geológicos de Portugal. O seu GeoPortal (SIORMINP) oferece acesso a bases de dados cruciais, como a GEOBASES (coleções de rochas, minerais e fósseis), a TECNIBASE (relatórios técnicos não publicados de prospeção e pesquisa mineira) e a Base de Dados do Museu de Jazigos Minerais Portugueses. Este repositório de informações é vital para compreender a distribuição e o potencial dos recursos minerais, incluindo aqueles com interesse gemológico. O LNEG também elaborou um mapa de áreas potenciais para recursos minerais, que inclui grupos como "quartzo, feldspato, lítio e berílio", indicando um reconhecimento estratégico do potencial destes minerais. O Museu Geológico do LNEG possui a mais importante coleção nacional de amostras sobre a geologia, mineralogia e arqueologia pré-histórica do território português.

A nível académico, a Universidade do Porto, através do seu Museu de História Natural e da Ciência (MHNC-UP), organiza exposições como "Gemas, Cristais e Minerais", que exibem mais de 470 peças e apoiam aulas práticas e atividades de investigação. Esta iniciativa demonstra um forte interesse académico e público na mineralogia e geologia de Portugal.

Adicionalmente, a existência de um Laboratório Gemológico independente em Portugal, como o GemsValue (desde 2010), especializado em formação, investigação e certificação de autenticidade de joias e pedras preciosas, reflete o amadurecimento do setor gemológico no país, focando na valorização e confiança do mercado.

Desafios e Potencial de Exploração
A prospecção de depósitos pegmatíticos, que são importantes fontes de gemas, pode ser desafiadora devido às características das rochas hospedeiras, dificultando a aplicação de métodos geofísicos e geoquímicos. A identificação de jazigos requer a análise de parâmetros como tom, textura, cor, forma e tamanho, complementada por cartografia geológica detalhada.

A viabilidade económica da extração de gemas em Portugal também enfrenta a concorrência global. O exemplo da extração de tungsténio, que se tornou não rentável devido à oferta estrangeira mais barata , ilustra um princípio que se aplica igualmente às gemas. Mesmo que existam depósitos, a sua exploração pode ser limitada se gemas de maior qualidade ou mais baratas estiverem disponíveis de grandes produtores globais, como o Brasil.

Apesar destes desafios, há sinais de potencial. A Região Norte de Portugal, por exemplo, é um hotspot mineralógico, com mais de 800 depósitos conhecidos, muitos associados à orogenia Varisca. Esta diversidade sugere um potencial significativo para a descoberta de novas ocorrências de minerais, incluindo aqueles com valor gemológico. Além disso, a prospecção ativa de metais preciosos, como o ouro no Algarve, autorizada pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), pode levar a descobertas incidentais de minerais gemológicos como subprodutos.

Significado Económico e Cultural
A ocorrência e o comércio de gemas em Portugal têm um significado económico e cultural multifacetado, que transcende a mera extração.

Joalharia e Artesanato
A joalharia portuguesa possui uma tradição rica e distintiva, com destaque para a técnica da filigrana, reconhecida como património imaterial pela UNESCO. As joias portuguesas são aclamadas pela sua excelência, frequentemente utilizando ouro de 19.2 quilates. No entanto, esta tradição foi moldada, em grande parte, pela importação de gemas. A riqueza trazida pelos Descobrimentos permitiu a uma classe nobre ostentar joias com pedras do Oriente e das Américas, como diamantes, safiras e rubis. A coleção "Minas Novas" da Portugal Jewels, por exemplo, reflete a influência das gemas brasileiras, como o "Cristal Rocha" (quartzo incolor), que revolucionaram o conceito de joia em Portugal.

A distinção entre a origem da gema e o local de fabrico da joia é crucial. Muitas peças de joalharia "Made in Portugal" são valorizadas pela mestria artesanal e pelo design, mas as gemas incorporadas são frequentemente importadas. O mercado português de minerais e cristais, como evidenciado por empresas como a Mineralia Portugal, oferece uma vasta diversidade de produtos, mas a maioria dos exemplos de minerais específicos listados são de proveniência internacional (e.g., ametista do Uruguai, quartzo citrino do Brasil).
A valorização das raízes da ourivesaria portuguesa aliada às pedras preciosas seria a de criar uma identidade nacional com o uso de pedras nacionais lapidadas cravadas nas joias e na filigrana.

O artesanato com pedras naturais em Portugal também se manifesta em diversas formas, desde joias artesanais que fundem a arte da joalharia com o simbolismo da natureza até objetos decorativos e utilitários que utilizam pedras e minerais.

Geoturismo e Valorização do Património
Portugal tem vindo a desenvolver um forte foco no geoturismo, valorizando o seu tesouro geológico único e promovendo a sua conservação. O "Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal" é uma iniciativa que promove diversos locais com enquadramento institucional e apoio à interpretação, com o objetivo de divulgar a atividade mineira e a geologia, e aproveitar o seu potencial para o desenvolvimento local através do turismo.

Portugal possui cinco Geoparques Mundiais da UNESCO (Naturtejo, Estrela, Terra de Cavaleiros, Açores e Arouca). Estes geoparques oferecem experiências enriquecedoras, geridas com base em princípios de proteção, educação e desenvolvimento sustentável, posicionando Portugal como um líder em geoturismo responsável.

A Mina de Sal-gema de Loulé é um exemplo paradigmático desta valorização. Após anos de intensa exploração industrial, a mina foi abraçada como um projeto de turismo mineiro, o "Sal da Terra", que inclui um museu, um centro de interpretação e até a criação de um hotel e SPA subterrâneos. Esta iniciativa inovadora demonstra uma estratégia de adaptação económica e sustentabilidade, transformando um recurso industrial num polo de atração turística e pedagógica.

Outro exemplo é o Museu do Quartzo em Viseu, instalado numa antiga cratera de exploração de quartzo. Este museu é um centro interativo que explora o património geológico e natural da região, com uma forte vertente pedagógica e exposições temporárias de mineralogia. A "Rota do Quartzo" oferece uma viagem que conjuga património religioso, histórico e cultural com geologia e paisagem, destacando a beleza e utilidade deste mineral abundante em Portugal.

Apesar destes desenvolvimentos, o "turismo gemológico" como categoria distinta ainda não é um foco principal nos portais oficiais de turismo de Portugal. No entanto, a integração de locais com interesse mineralógico e geológico em roteiros de geoturismo mais amplos contribui para a valorização do património natural do país e para a educação do público sobre a sua riqueza geológica.

Conclusões
peridot - Azores
A ocorrência de gemas em Portugal é um tema com profundas raízes históricas e geológicas. Embora o território nacional não seja reconhecido por depósitos de grande volume de gemas preciosas de alto valor, como diamantes ou rubis (que foram e continuam a ser maioritariamente importados, moldando a joalharia portuguesa), possui uma diversidade de minerais com potencial gemológico e ornamental.

Os quartzos, incluindo o quartzo leitoso, cristalino e o jaspe, são os minerais mais abundantes e amplamente distribuídos em Portugal. As formações pegmatíticas, concentradas no Norte e Centro do país, representam um ambiente geológico crucial para a ocorrência de minerais como berilo, petalite, espodumena, turmalina, apatite e lazulite-scorzalite, muitos dos quais podem apresentar qualidade de gema, ainda que muitas vezes como subprodutos de explorações de outros minerais, como o lítio. As granadas de Belas e os "calaítes" da pré-história são testemunhos da exploração local de gemas ao longo da história. Nas formações vulcânicas dos Açores ocorrem minerais do grupo das Olivinas como o Peridoto que é a gema mais evidente nas ilhas, além de Ágata dendrítica, olivinas em areia, augita, obsidiana e olivinas em basalto.


Notas:
A legislação portuguesa, ao ser omissa quanto à concessão mineira específica para gemas, pode limitar o desenvolvimento de uma indústria extrativa dedicada. No entanto, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) e outras instituições académicas desempenham um papel fundamental na pesquisa, documentação e divulgação do património mineralógico.

Economicamente, a joalharia portuguesa destaca-se pela sua mestria artesanal e design, mas depende em grande parte da importação de gemas. Contudo, o crescente investimento no geoturismo, exemplificado pela Mina de Sal-gema de Loulé e pelo Museu do Quartzo, demonstra uma estratégia eficaz para valorizar o património geológico e mineral do país, transformando antigos locais de exploração em polos de atração turística e educação.

Em suma, a "ocorrência de gemas em Portugal" deve ser compreendida não apenas como a presença física de minerais no solo, mas também no contexto da sua exploração histórica, das influências comerciais globais, do desenvolvimento de uma infraestrutura gemológica e do crescente reconhecimento do seu valor cultural e turístico. O futuro do setor passa pela contínua investigação geológica, pela clarificação de quadros legais para a exploração de gemas e pela promoção sustentável do rico, embora por vezes discreto, património mineralógico de Portugal.